Blog do pr. Salvador


UM CULTO AO FINAL DO DIA

 

Finda-se este dia que meu Pai me deu; sombras vespertinas cobrem já o céu.

Ó Jesus bendito, se comigo estás, eu não temo a noite: vou dormir em paz.

 

Hoje, com pecados, eu  te entristeci, mas perdão Te peço, por amor de Ti.

Sou Teu pequenino: livra-me do mal, e em sossego alcanço pouso natural.

 

Guarda o marinheiro no violento mar, e ao que sofre dores queiras confortar.

Ao tentado estende Tua mão, Senhor; manda ao triste e aflito o Consolador.

 

Pelos pais e amigos, pela santa Lei, pelo amor divino graças Te darei.

Ó Jesus, aceita minha petição, e seguro durmo, sem perturbação.

 

        O título deste hino é “Oração Noturna”. Sua poesia foi composta em seis estrofes pelo pastor anglicano Sabine Baring-Gould e foi traduzida numa síntese em quatro estrofes pelo Rev. João Gomes da Rocha. O hinista brasileiro João Gomes da Rocha foi médico missionário na Inglaterra e na África, e era filho adotivo do casal Robert e Sarah Kalley, dos quais foi continuador na obra missionária pioneira no Brasil.

O título “Oração Noturna”, ou “Finda-se este dia” como em outros hinários,  diz menos do que o hino é. De fato, além de uma oração, ele é um culto noturno, pois apresenta todos os elementos de uma singela, porém completa e bela liturgia: invocação, confissão, intercessão e gratidão; com todos estes elementos permeados por uma reflexão bíblica adequada.

Mais do que um culto individual, particular, a letra também sugere um culto familiar (costume hoje negligenciado, talvez pela correria da vida que nossas famílias levam). De fato, este hino propõe um encontro com o Todo Poderoso quando as “sombras vespertinas cobrem já o céu”, isto é, quando o dia se torna sem luz natural e o “medo da noite” nos assalta. Este é o “espanto noturno” ao qual se refere o Salmo 91, este sentimento de grande inquietação ante a um perigo real ou imaginário. De fato, desde o princípio o homem aterrorizou-se na noite por se encontrar mais vulnerável a ataques. Também o homem de antigamente temia que o sol que se pusera no horizonte nunca mais voltasse e o tempo daí por diante fosse de eternas trevas. Não é à-toa que a figura usada para descrever o inferno é “reino das trevas”.  Porém, com a presença de Jesus, diz o poeta “eu não temo a noite: vou dormir em paz”, assim como afirma o sábio em Provérbios 3:24: “quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranqüilo a noite inteira”.

   pr. Salvador                                                                  



Escrito por smor às 07h35
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CARÊNCIA DE JESUS

 

Careço de Jesus!

De Ti, meu Salvador!  Somente a Tua voz tem para mim valor.

 

De Ti, Senhor careço! Do Teu amparo sempre!

Oh! Dá-me a Tua benção: aspiro a Ti.

 

Careço de Jesus!

Unido a Ti, Senhor, pecado e tentação não mais terão vigor.

 

Careço de Jesus!

Vem dar-me o coração o gozo de viver em santa retidão!

 

Careço de Jesus!

Nas trevas ou na luz,  sem Ti a vida é vã: sou pobre sem Jesus.

 

Careço de Jesus!

Viver desejo aqui ligado mais e mais, Ó Salvador, a Ti.

 

Carência quer dizer falta, ausência, privação, ou, ainda, necessidade, precisão. Assim, carente é o que não tem, o que precisa, o necessitado de algo. As nossas carências são diversas. Pode ser que estejamos doentes e o médico conclua que a nossa enfermidade se dá por carência de alguma vitamina, por exemplo. Basta suprir esta deficiência e estaremos curados. Pode ser também que sobrem cada vez mais dias no mês depois que acabou o nosso salário. Então, é o caso de carência financeira, que só um salário melhor ou uma maior contenção de despesas podem resolver. Mas talvez o seu dia careça ter umas trinta horas para que você cumpra todos os seus compromissos. Você pode estar carente de mais tempo ou, talvez, de maior senso de organização das suas tarefas. Enfim, somos carentes.

O hino, cuja poesia é da missionária Sarah Poulton Kalley, é uma oração do carente. Há uma espécie de estribilho que se repete em cada estrofe: “Careço de Jesus”. Portanto, para que você cante com o coração e mente este hino, é necessário que reconheça as suas carências e admita a sua dependência. Quais carências?

A primeira carência é de valores, isto é, você precisa comunicar-se com alguém com tantas qualidades que mereça ser ouvida. Mais ainda, você precisa de princípios, padrões que possa copiar daquele que você estima. A miss. Sarah considera a Palavra de Jesus a única digna de consideração e reconhece que precisa do amparo de Jesus, pois a Sua voz a atrai, pois nEle encontra apoio, ajuda e abrigo.

Na segunda estrofe, a suplicante confessa que a sua grande carência é de um escape à tentação. E ela encontra em Jesus e na sua união com Ele. Honestamente reconhece que o pecado e a tentação têm vigor, isto é, força suficiente para nos derrubar. Do mesmo modo, você deve se reconhecer impotente diante da tentação e incapaz diante do pecado consumado e confiar na promessa de 1 Coríntios 10:13 – “Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”.

Mas a oração continua e a poetisa pede a alegria, “o gozo de viver em santa retidão”. Você não deve apenas cumprir preceitos e obedecer ordens, antes desejar sentir, como diz o salmista, “prazer na lei do Senhor”, e reconhecer que esta satisfação vem de Jesus, pois é de nossa natureza rebelde não ter gosto em obedecer, porém Cristo pode nos ensinar, com o Seu exemplo, que pode ser prazeroso submeter-se.

Na penúltima estrofe, a missionária reconhece que a vida é pontuada por momentos de trevas e luz. Você pode ter passado por tempos tenebrosos ou luminosos, medonhos ou ousados, mas, em todos eles, foi bom estar na companhia de Jesus. Fora deste convívio, a vida é vã, fútil, insignificante, falsa e inútil. Ou seja, somos pobres e continuaremos necessitados sem Jesus, ou, como ora o salmista, no Sl 40:17, “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim, Tu és o meu amparo e o meu libertador; não Te detenhas, ó Deus meu!”.

Finalmente, ao dizer “Viver desejo aqui ligado mais e mais, Ó Salvador, a Ti”, Sarah Kalley entende que a companhia de Jesus não é algo momentâneo e fugaz. Você deve querer uma convivência perene e que se torna cada vez mais íntima, ligada “mais e mais” com Jesus. É algo como Paulo fala em Gálatas 2:20 – “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse vier que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.

É preciso ressaltar que o coro, que se intercala a todas as estrofes, considera a companhia de Jesus uma bênção, isto é, fruto da Sua graça e que deve ser respondida com gratidão. A isto você deve aspirar, isto é, deseja ardentemente: viver na agradável e fortificante companhia de Jesus.

pr. Salvador



Escrito por smor às 10h10
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Amor fraternal

 

Jesus, Pastor amado, reunidos hoje aqui, concede que sejamos um corpo só em Ti.

Contendas e malícias que longe de nós vão; nenhum desgosto impeça da igreja a santa união.

 

A poetisa Sarah Poulton Kalley inicia com uma oração pelo amor fraternal na igreja pedindo que esta seja a expressão do amor do pastor que a encabeça. Ou seja, ela suplica que a igreja seja um corpo único em Cristo. Ela assume como fato que “contendas e malícias” estão afastadas de nosso meio, mas, talvez reconhecendo que as disputas e as más tendências não tão “longe de nós vão”, roga que nenhuma mágoa impeça a união da igreja. Interessante notar que a autora chama esta união corporal da igreja em Cristo de “santa união”, apontando para o fato de que não somos santos enquanto sós, mas que a comunhão na igreja de Cristo é que nos santifica.

 

Família unida somos, família de Jesus, iluminados todos da mesma santa luz.

A mesma fé nos prende num só divino amor, e com o mesmo gozo servimos ao Senhor.

 

No início da segunda metade do século 19 Sarah e o seu marido Rev. Robert Reid Kalley aportaram no Rio de Janeiro para proclamar o evangelho em língua portuguesa. É destes primeiros tempos que fala a autora. As ovelhas do Dr. Kalley eram poucas, porém eram unidas como uma família. De fato, a intolerância à fé que professavam fazia com que se aproximassem em busca de consolo e estímulo. O que os prendia era uma mesma fé, partilhavam do mesmo divino amor e com a mesma alegria serviam. Não é um retrato triunfalista. A missionária não menciona qualquer luz própria, simplesmente estavam “iluminados todos da mesma luz”. Luz de Cristo!

 

Na mesma senda estreita é Deus quem nos conduz; não temos esperança senão num só: Jesus.

Por morte preciosa a todos vida traz; e pelo mesmo sangue nos vem a mesma paz.

 

Em seguida, a poetisa aponta a única causa da união, brilho, fé e serviço aos quais se referira na estrofe anterior: Jesus. Do mesmo modo, Sarah Kalley nos alerta que esta vereda é difícil, cheia de obstáculos e eventuais fracassos (contrariamente ao que se diz). Então ela coloca em paralelo a “mesma” senda com o “mesmo” sangue que nos traz a “mesma” paz. Isto é, não é o “meu” caminho, é o “nosso” caminho, ou melhor “o caminho de Cristo. Não há diversidade na ação do “mesmo” sangue”. A paz não é aquela do que diz “deixe-me em paz”, antes é aquela do que deve dizer “estejamos todos sob a mesma paz” – a paz de Cristo.

 

Rebanho resgatado por um só Salvador, devemos ser unidos por mais ardente amor;

Olhar com simpatia os erros de um irmão e todos ajudá-lo com terna compaixão.

 

Aqui a poetisa insiste na nossa identidade: pessoas protegidas e libertadas, unidas pelo passado de escravidão e pelo presente de livramento. E para enfatizar as nossas semelhanças, a autora nos sugere “olhar com simpatia os erros de um irmão” (uma recomendação ousada para os padrões morais da época). A simpatia aqui não indica aprovação, mas sim a atitude amorosa de aproximação em direção ao que errou e  “todos ajudá-lo com terna compaixão”. Assim ela diz que da família de Deus ninguém é excluído porque errou. Não há, como se diz por aí, como “cair da graça”. Se caímos, pela mesma Graça  somos levantados, de preferência com ajuda de “todos” com “terna compaixão”.

 

Se Tua Igreja toda viver em santa união, será bendito sempre o nome de “cristão”.

Jesus, o que pediste em nós se cumprirá, e assim o mundo inteiro a Ti conhecerá!

 

Finalmente, a poetisa se faz profetisa. Mas é uma profecia condicional: “se Tua Igreja toda viver em santa união”. Nesta feliz circunstância, “cristão” será muito mais do que um rótulo atrás do qual se esconde o pecado. Ser cristão significará o que Jesus pede na sua oração em João 17: a união da Trindade Santa expressa na união dos cristãos.

pr.  Salvador



Escrito por smor às 18h16
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EU PRECISO DE TI, MEU SENHOR

 

Eu creio, Senhor, na divina promessa.

Vitórias já tive nas lutas aqui.

Contudo é muito certo que a gente tropeça:  

por isso, Senhor, eu preciso de Ti.

 

A luz que me guia no escuro caminho,

fulgura de cima, do Sol criador.

Contudo, não posso segui-lo sozinho:  

Por isso eu preciso de ti, meu Senhor.

 

Bem sei que nas preces eu posso buscar-Te.

Jamais dessa bênção na vida eu descri.

Contudo, é possível que dela me aparte:  

Por isso, Senhor, eu preciso de Ti.

 

Esforços da terra, precário destino,

empenho dos homens, riqueza, o que for,

não valem a bênção do reino divino:

Por isso eu preciso de Ti, meu Senhor.

 

        “Eu creio, Senhor, na divina promessa. Vitórias já tive nas lutas aqui. Contudo é muito certo que a gente tropeça: por isso, Senhor, eu preciso de Ti.” Assim começa o hino cuja poesia é do pastor metodista Rev. Antônio de Campos Gonçalves. Conforme as Notas Históricas do Hinário para o Culto Cristão, o autor escreveu: “este hino assinala a tremenda e insubstituível dependência de Deus; dependência mística, dependência física, dependência salvífica, dependência moral, dependência espiritual e dependência escatológica”.  O poeta reconhece que o dependente não é um inútil, um incapaz, uma pessoa sem realizações. De fato, ele afirma “vitórias já tive nas lutas aqui”. Contudo ele contrapõe as suas realizações afirmando que “é mui certo que a gente tropeça”. De fato, dependemos de Deus não apenas para alcançar vitórias, mas também para superar os fracassos. Assim, o poeta fala de triunfos e derrotas eventuais e da necessidade constante da ajuda de Deus.

O dependente é a pessoa que não dispõe de recursos para promover a sua subsistência, é aquele que vive à custa de outra. É o que reconhece o autor na segunda estrofe: “A luz que me guia no escuro caminho, fulgura de cima, do Sol criador. Contudo, não posso segui-lo sozinho: Por isso eu preciso de ti, meu Senhor”. Aqui ele se reconhece como subordinado. Ele conhece o caminho e vê que é tenebroso, sombrio, algo misterioso, nada fácil. No entanto, a luz vai ocupando o lugar do escuro, dando cores ao cinzento, tornando tudo mais claro e compreensível. Porém, mesmo com toda esta iluminação, ele sente que não pode seguir o caminho sem a ajuda de Deus. Realmente, o caminho de Jesus é para ser caminhado com Jesus. Ele é a luz e o caminho.

Corajosamente, na terceira estrofe, o poeta confessa que “Bem sei que nas preces eu posso buscar-Te” e abre um parêntesis para declarar que “Jamais dessa bênção na vida eu descri”. Em todas as estrofes há uma expressão (contudo) que coloca lado a lado pensamentos contrários. Ou seja, ele reconhece o valor da oração, porém confessa antecipadamente que “contudo, é possível que dela me aparte: Por isso, Senhor, eu preciso de Ti. A vida do cristão é assim mesmo. Oscilamos entre a dependência extrema e a arrogância de quem se sente apartado de Deus, livre para tomar conta de sua própria vida. Movemo-nos entre o estado de necessidade, que se sublima nas orações fervorosas e confiantes, e a disposição para tudo fazer sem a ajuda de ninguém, nem sequer de Deus.

Finalmente, a música composta pela profa. Henriqueta Rosa Fernandes Braga assume o seu papel de nos contristar e nos levar a tomar uma decisão. Esta melodia singela e triste foi composta pela regente e organista do coral da Igreja Evangélica Fluminense (tive o privilégio de ser apresentado à irmã Rosinha, primeira mulher a receber diploma universitário em Música no Brasil,  como professora de Piano e Regência). Ela era descendente dos pioneiros do trabalho presbiteriano em São Paulo e da missão do Rev. Kalley no Rio de Janeiro e deles recebeu o conhecimento das dificuldades do caminho cristão. Deste modo, imagino que os sentimentos expressos na quarta estrofe foram decisivos para a composição musical.  “Esforços da terra, precário destino, empenho dos homens, riqueza, o que for, não valem a bênção do reino divino: Por isso eu preciso de Ti, meu Senhor.”. Assim, a precariedade dos esforços e recursos é sobrepujada pela bênção do Reino de Deus do qual somos súditos e herdeiros.   

                                                                          

 



Escrito por smor às 11h08
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MAIS PERTO QUERO ESTAR

 

Cientistas descobriram que o construtor do Titanic sofreu durante anos para conseguir material de solda e soldadores e, por fim, usou rebites de má qualidade que condenaram o navio, que afundou há quase cem anos. A construção requeria três mil rebites que serviam para unir as peças de metal e formar a estrutura da embarcação. Foram usados bons rebites, mas não os melhores.  Os rebites se partiram, permitindo que toneladas de água gelada entrassem. Mais de 1.500 pessoas morreram. É interessante notar que o nome “Titanic” significava “aquilo que tem grande força”, numa alusão aos “titãs” como eram chamados os gigantes que, segundo a mitologia, pretendiam escalar o céu e destronar Júpiter, o pai dos deuses.

Muitos assistiram ao filme “Titanic” e se emocionaram quando a orquestra tocava a melodia de Lowell Mason e os passageiros cantavam a poesia de “Mais perto quero estar”. De fato, este hino esteve presente em várias situações de morte, perda e abandono. Um exemplo marcante foi o do presidente americano William McKinley que, ferido por um assassino, murmurou as palavras do hino e, assim, rogou “Mais perto quero estar, meu Deus de ti”. 

A poetisa Sarah Flower compôs a letra deste hino com base na passagem de Gn 28:10-22, na qual Jacó tem uma visão de um escada na qual anjos subiam e desciam. A letra do hino é uma tentativa de recriar poeticamente a experiência da comunicação de Jacó com Deus num momento de angústia e decisão. É de momentos assim que nos fala o hino.

A poesia nos lembra de momentos de dor, da aflição que eventualmente nos une a Deus. De fato, a letra original fala algo como “a cruz que nos eleva a Ti”. Também nos recorda de peregrinação solitária tendo “por leito o chão”. E, finalmente, da morte que “me vier buscar”.

Mas há sempre esperança, pois o errante que, quando o sol se põe, tem o céu por coberta e uma pedra por travesseiro, pode ainda sonhar. Sonha com o que aspira: “mais perto quero estar, meu Deus, de Ti”. A sua alma começa então a cantar, pois sente a proximidade de Deus. E, finalmente, a vida eterna: “nos céus, a achar-Te ali, irei morar”. Então me alegrarei “Perto de Ti, meu Rei! Meu Deus, de Ti!”.

Mas voltemos ao Titanic e aos seus rebites de segunda qualidade. O projeto audacioso concretizara-se no maior navio do mundo. Absolutamente seguro, pois dele se dizia “nem Deus pode afundar o Titanic”. No entanto, meros rebites foram a causa do naufrágio. Deus não foi necessário aqui, o construtor e sua arrogância foram suficientes, os rebites deram conta de afundar a pretensão humana.

Ainda bem que os músicos e os passageiros perceberam que para chegar até Deus bastaria uma singela escada. Era uma escada de louvores, uma estrutura projetada e construída (e rebitada) por Deus e não por mãos de homens soberbos e mesquinhos. Cantando eles se sentiram “mais perto” de Deus, mesmo que fosse a dor que os unisse a Ele.

Você quer estar perto de Deus? Não espere o seu barco começar a afundar para pensar nisto.

pr. Salvador



Escrito por smor às 15h29
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CRER E OBSERVAR

 

        “Em Jesus confiar, sua lei observar”. Assim começa o  hino que cantaremos hoje no culto. O título traduz o tema: “crer e observar”. Isto é, o caminho do cristão obediente se resume a um “satisfeito guardar tudo quanto ordenar” e aos “Teus preceitos guardar, o Teu nome exaltar, sempre a Tua vontade cumprir”.

        O hino fala das emoções com expressões como “Oh, que gozo, que bênção, que paz!”, “Alegria perene nos traz”, “Nem tristeza nem dor, nem angústia maior pode o crente fiel abalar” e, a mais poética de todas, “Que delícia de amor”. O poeta nos ensina que a fé e a obediência nos levam à satisfação, ao prazer, ao repouso, ao sossego, à segurança, ao alargamento das perspectivas de vida e à extrema felicidade.

A história da composição deste hino nos instrui sobre a compreensão que podemos ter sobre a sua poesia e nos inspira às emoções com as quais devemos entoá-lo. Conta-se que o famoso pregador Moody fazia uma série de pregações e estava acompanhado pelo músico Daniel Towner. Após o apelo típico dos movimentos evangelísticos, uma pessoa se apresentou dizendo algo como “não estou entendendo muito bem, mas creio e vou obedecer”. Towner anotou a frase, compôs a letra (traduzida ao português pelo missionário Salomão L. Ginsburg) e a enviou a John Sammis que fez a melodia.

A singeleza da expressão do recém-convertido traduz a essência do discipulado cristão. O caminhar com Jesus não é meramente uma questão de conhecimento, de pensamento ou compreensão. É uma questão de acreditar e praticar. Evidentemente, não pretendo dizer com isto que o “crer e observar” é algo irracional, isto é, que não haja intervenção da razão, que não seja usada a inteligência que o próprio Deus nos deu, que não esteja ao alcance da sabedoria. Na verdade há muito que devemos entender e saber, mas o simples conhecimento e entendimento são ociosos sem a confiança e o uso benéfico do que foi apropriado com a mente.

Talvez possamos ampliar a compreensão da expressão “o justo viverá pela fé” afirmando que o justo vive segundo a fé que professa e não exclusivamente segundo o que julga conhecer. Muito menos o justo viverá de maneira contraditória com a fé que abraçou. Afinal, para que as conheçamos é que nos foram reveladas as Escrituras. No entanto, elas são a nossa única regra de fé e prática, ou seja, a Bíblia existe para que você “creia e obedeça”.

 

pr. Salvador

 



Escrito por smor às 10h29
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SONHAR NA ESCOLA DOMINICAL?

 

Eu já surpreendi alunos dormindo em aulas da Escola Dominical. Mas sonhando, eu nunca soube. Seria possível ver em sonhos, como resultado do que se aprendeu? Vejamos.

A edição comemorativa da Revista do Hospital Evangélico, publicada em 29 de março de 2008, por ocasião da inauguração do Centro de Atendimento à Saúde da Mulher, traz um esboço da história do início do sonho de construir um hospital evangélico em Sorocaba. O título do artigo é “As treze mulheres e um desafio: construir um hospital”.

Em resumo, ali se conta que, em julho de 1935, o professor Abdiel Lopes Monteiro lecionou a classe das senhoras com base no texto de Hebreus 1:1 (A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem). Como resultado da reflexão sobre tão conhecida passagem, ele propôs um desafio: fundar um hospital evangélico. Suas palavras foram: “Por que, irmãs, não havemos de fundar o nosso hospital? As senhoras estão dispostas a lutar por esse ideal?”.

As treze alunas, tendo entendido o conceito de fé, viram as “coisas que não se vêem” e, na mesma hora, levantaram uma singela coleta, primícias do esforço que permitiria a concretização do tão necessário hospital. Tudo começou com um sólido estudo, o qual provocou uma ação que poderíamos considerar ingênua, fraca, inocente, porém eficaz, como se pode constatar pela obra a que ela deu princípio.

Com esta história reconhecemos que podemos sonhar. Porém deverão ser sonhos que Deus coloca em nossos corações. Ou seja, precisam estar embasados no conhecimento das Escrituras, pois só assim poderemos estar certos que correspondem à vontade de Deus. Além disso, muitos desses sonhos só são realizáveis por meio do corpo de Cristo, isto é, coletivamente, não individualmente (mesmo que por treze mulheres, na década de 30!).

E você? Tem vindo à Escola Dominical? Nela nós podemos ensinar fundamentos divinos para os seus sonhos e, quem sabe, em nossa escola bíblica você encontrará outros sonhadores para tornar reais os seus sonhos. A partir da comunhão com Deus e com os que estão aprendendo da Sua Palavra, você confirmará que os seus sonhos foram gerados por Deus em você e, a partir daí, eles serão comunitariamente realizáveis.  Assim como a vontade de Deus, os seus sonhos serão bons, perfeitos e agradáveis. Bom sonhar assim, não?

Não fique sonhando sozinho nos domingos de manhã. Venha sonhar com a gente!

 

pr. Salvador



Escrito por smor às 10h17
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UMA JORNADA ESPIRITUAL

 

Nesta segunda-feira, quando melhorei um pouco da gripe que me pegou de jeito, assisti pela segunda vez a um interessante filme. O seu nome é meio complicado - “Viagem a Darjeeling”, mas a história é muito instigante para o nosso atual tema de crescimento.

O filme conta a história de três irmãos que partem para uma viagem pela Índia em busca de experiências espirituais nos templos budistas e hindus de Darjeeling. Acontece que eles se mostram totalmente despreparados para as tais vivências “espirituais” que desejavam. Logo na primeira parada, eles ficam mais preocupados em fazer compras de quinquilharias do que em buscar alguma inspiração no templo que visitavam.

O restante do filme mostra os seus esforços em buscar espiritualidade e como a falta de fraternidade entre eles impede o sucesso da jornada. Eles disputam e brigam entre si, paqueram a comissária de bordo, usam drogas e de tal modo irritam o chefe de trem que acabam expulsos na próxima parada. Absurdamente continuam a viagem a pé e carregando uma dezena de malas, muitas delas que pertenceram ao falecido pai.

Daí começa a verdadeira jornada espiritual. Isto se dá quando eles tentam salvar três meninos que estavam se afogando. Conseguem salvar dois, mas perdem um deles. Ao levá-los para a aldeia onde moravam, são recebidos pelos moradores e participam da vida daquela gente simples durante um tempo. Este é o primeiro momento de mudança: quando eles começam a olhar mais atenta e afetuosamente para o povo de quem pretendiam assimilar a  espiritualidade.

O segundo episódio ocorre quando eles conseguem fazer um ritual com uma pena de pavão, conforme prescrito por um guru, um mestre indiano da vida interior. Apesar das tentativas, até então eles não tinham conseguido, pois cada um fazia ao seu modo. Como sobrara apenas uma pena de pavão, eles fizeram em conjunto e conseguiram concluir a tarefa.

O instante em que eles dão o definitivo passo para a conclusão da sua jornada é quando eles se desvencilham de suas pesadas malas. Eles tinham carregado aqueles trambolhos durante toda a viagem e foram forçados a jogar fora todas as malas para poder pegar o trem em movimento.

Levando em consideração que o nosso interesse é crescimento na espiritualidade cristã, o que podemos aprender deste filme? Quais princípios se adaptam à jornada que estamos iniciando em busca de crescimento integral?

Primeiramente, que não se pode buscar a espiritualidade própria dos filhos de Deus, esquecendo-se dos outros filhos de Deus, os nossos irmãos. Em segundo lugar, que a busca espiritual é algo para ser compartilhado, não é caminho de um só, é caminho da “multidão dos que creram”. Ou seja, se você vai crescer, então seu irmão deve crescer também. Finalmente, que para seguir esta jornada é preciso se desfazer de toda a bagagem que atrapalha, seja a tradição sem fundamento, ou a sua irretocável história, ou as conquistas de seus antepassados, ou seja lá o que o torne lento, tenso, carregado ou complicado. Ou melhor, como diz Paulo aos filipenses, é preciso esquecer as coisas que para trás ficam e avançar para as que diante de você estão.

pr. Salvador



Escrito por smor às 23h02
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PARA CRESCER É PRECISO LIMPAR

 

Eu e a minha esposa éramos um jovem casal, uma família em crescimento: o nosso primeiro filho era um bebê e a segunda filha já estava encomendada. Sentimos necessidade de ter a nossa casa própria e, como já tínhamos um terreno, decidimos construí-la. Não sabíamos no que estávamos nos metendo.

Raspamos as nossas economias, trocamos o nosso fusca novo por um opala usadíssimo e fizemos o projeto que nos parecia perfeito. Dava para começar. Buscamos financiamento para o restante e ali começaram as surpresas: tínhamos que fazer um orçamento da obra e apresentar à Caixa Econômica. O engenheiro nos ajudou a elaborar a previsão de gastos e, logo de início, teríamos um grande gasto imprevisto: a limpeza do terreno.

Na nossa inexperiência, nem sabíamos que havia tanto mato a arrancar. Um gasto inesperado, porém necessário. O terreno então foi visto, de fato, pela primeira vez. E daí a nova surpresa: o terreno era bem acidentado e precisava ser nivelado. Nova despesa imprevista. Outra vez, na nossa falta de prática, não sabíamos que haveria tantos caminhões de terra a remover. Tal era o desnível que tivemos de mudar o projeto. Afinal, o papel em que desenhamos a casa de nossos sonhos era plano, e o nosso terreno não era. Estávamos aprendendo uma lição para toda a vida: para construir e crescer é preciso ter o terreno limpo e aplanado.

A propósito de planuras, os filhos de Corá nos ensinam no Salmo 84 que abençoados são aqueles que têm no coração os caminhos aplanados, isto é, o terreno onde se dará o seu crescimento não precisa estar plano em realidade, mas ele deve estar nivelado em seu coração, em seus sonhos e desejos.

Além de plano, o seu espaço de crescimento deve estar limpo. Paulo explica qual é este espaço: o seu corpo. Após condenar a sensualidade, isto é, o mau uso dos sentidos e sensações que Deus nos deu, o apóstolo lembra aos coríntios que o nosso corpo é santuário do Espírito, ou seja, é lugar santo, consagrado para o Espírito de Deus. Assim, o corpo não é mau como se diz, mas o seu domínio sobre a nossa integridade é que é pernicioso.

Lembro de já ter afirmado que para a nossa igreja crescer é preciso que você cresça. E, em conclusão, afirmo que antes do seu crescimento é preciso passar por purificação, com arrependimento e confissão de pecados. Enquanto houver sujeira escondida embaixo do tapete e picumãs no forro, não haverá crescimento.

pr. Salvador



Escrito por smor às 20h10
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CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS

 

Uma irmã me mandou um e-mail com sugestões para o conteúdo de uma caixa de primeiros socorros. Esta deveria conter: óculos, elástico, curativo, lápis, borracha, chicletes, chocolate e um saquinho de chá. Os óculos seriam para lembrar de “ver” nos outros as qualidades. O elástico para não esquecer de sermos flexíveis, pois as pessoas nem sempre são como gostaríamos que fossem. O curativo para tratar os ferimentos causados nos relacionamentos. O lápis para anotar o que aconteceu de bom (e haja lápis!). A borracha para apagar os erros, nossos e dos outros. O chiclete sugere que devemos “grudar” nas pessoas que são realmente importantes para nós e que, às vezes, são esquecidas. O chocolate nos traz à memória que todos gostam de receber carinho. Finalmente, o saquinho de chá para se acalmar e pensar no que pode estar faltando na nossa caixinha de primeiros socorros. Interessante. Não?

O Conselho de nossa igreja tem recorrido freqüentemente à sua “caixa de primeiros socorros”, especialmente os óculos. A propósito, na nossa última reunião de oração fizemos um exercício interessante para o qual usamos óculos no grau certo e com lentes bem limpas. Com base na carta de Paulo aos filipenses, procuramos ocupar o nosso pensamento com “tudo que é verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama” no que se referia a nossa amada igreja. Assim, buscamos onde haveria virtudes, qualidades e realizações louváveis. Não foi difícil. Preenchemos a nossa mente durante mais de duas horas. Queríamos ficar mais. Poderíamos ficar mais, se já não fosse tão tarde.

Veja bem, nós não atuamos irresponsavelmente ou ignoramos os problemas de nossa igreja. Ao contrário, a nossa atividade foi exatamente para fazer um levantamento dos nossos recursos humanos, materiais, morais e espirituais.  Assim, nos resultados teríamos um ponto de partida para o encaminhamento às soluções de nossas necessidades. Agimos com honestidade e recusamos qualquer qualidade, característica ou propriedade sobre a qual não havia consenso. Mesmo assim foram muitos itens que pudemos, com alegria, arrolar. Como não poderia deixar de ser, a lista nos deu motivos para uma emocionante oração de gratidão a Deus.

Sugiro que você também faça a sua lista. O que nossa igreja tem de boa? O que Deus nos tem dado? Além de você, é claro. Você se surpreenderá. E mais ainda, você ficará muito grato a Deus, assim como nós ficamos. A sua lista será o ponto de partida para o seu serviço na comunidade, como do mesmo modo nós a usamos para enfrentar os problemas, suprir as necessidades e sonhar o nosso futuro.

Por exemplo, se você já começou a elaborar a sua lista, encontre um versículo adequado (ou use uma expressão própria com base na Palavra) e no momento apropriado do culto diga, em voz alta, o motivo da sua gratidão pelo que, como igreja, somos, pensamos e fazemos. Escolha a sua causa e diga para todos: EU SOU GRATO A DEUS PORQUE ...

pr. Salvador



Escrito por smor às 17h29
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VENCER SEM DERROTAR

 

Na vida em igreja, às vezes temos conflitos com outros irmãos. Freqüentemente estes embates podem ser encaminhados pelo diálogo, passar pelo perdão e chegar à reconciliação. É a trajetória ideal, bíblica e cristã. É o que nos leva ao destino saudável, pessoal e comunitariamente. É o caminho de Jesus que nos ensina a “oferecer a outra face”. Difícil, mas não impossível, já que ele só nos ensinou a fazer o que é praticável.

No entanto, em alguns poucos casos não conseguimos mesmo percorrer este caminho. E em raras destas situações é inevitável tomar o atalho do confronto das idéias, para que, pela Graça de Deus, se possa voltar brevemente ao rumo da reconciliação ( enfatizo que os debates devem ser sobre idéias, opiniões, perspectivas, atitudes ou conceitos, nunca sobre pessoas). Esta tortuosa estrada apresenta dois riscos opostos: o de ficarmos deprimidos pelo resultado ou de nos envolvermos num ambiente triunfal.  

Primeiramente, antes que fiquemos à mercê da tristeza pelas perdas em conseqüência do debate, é necessário recordar, fazer uma auto-avaliação. É bom lembrar a origem do conflito para perceber a armadilha em que caímos todos, eu e o meu oponente. Ou seja, estávamos juntos e por isso nos confrontamos. Tínhamos algo em comum. É interessante também trazer à memória o nosso comportamento durante o choque. Quem provocou? Quem reagiu? Qual a proporção da reação diante da provocação? Que armas foram usadas? Quais foram as nossas tentativas conciliatórias? Qual foi a ética, o princípio cristão que nos orientou? Finalmente, é essencial que indaguemos pelos nossos propósitos quanto ao futuro. Até quando curtirei esta mágoa? Até quando arrastarei este putrefato cadáver de ressentimentos? Qual é a minha prontidão para perdoar e ser perdoado? Há algo que possa e deva fazer a respeito? Se você conseguir passar com integridade por este teste e ficar com a consciência tranqüila, não há porque se deixar abater. Difícil, não?

Em segundo lugar, mesmo que, após este rigoroso exame introspectivo, você se considere um legítimo “vencedor”, você não pode criar, nem deixar que se crie à sua volta, especialmente na igreja, um ambiente de vitória. De fato, sempre que há conflitos no meio do povo de Deus, perdemos todos e entristecemos o Deus do povo. Pior ainda quando ocorre de vencermos um debate, mas perdermos um dos debatedores. O saldo não é positivo. Não pode haver alegria nisso.

Assim, insisto com todos que embora, no interesse comunitário, alguns sejam obrigados a lutar e vencer, não é cristão querer derrotar. Caso tenha derrotado, não é edificante querer subjugar. Se, apesar disso, o outro se sente subjugado, é pecado querer humilhá-lo.  É possível vencer sem destroçar, sem submeter, sem envergonhar.

Também é edificante vencer sem tentar reescrever a história, pois esta é sempre contada pelos vencedores. Não tente manchar a biografia do seu oponente. Afinal, vocês estiveram no mesmo caminho até há pouco e a nódoa que você vê nele ainda está em você. Será que perdemos tudo aquilo que nos unia? Não somos mais irmãos em Cristo? O que os unia, poderá reuní-los. Enfim, é na vitória  que convém que Jesus cresça e nós nos tornemos menores.

  

pr. Salvador



Escrito por smor às 14h55
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ESSENCIAL X FÚTIL

 

        Nesta segunda pela manhã, eu e o presb. Ditinho fomos ao presídio da Aparecidinha. Ao nos receber, a Dra. Adriana Fernandes Lopes Ayres, diretora da Reintegração, nos informou sobre a importância do trabalho das igrejas na recuperação dos detentos, especialmente quanto ao resgate dos valores perdidos ou negligenciados. Isto já bastou para que entendêssemos a importância da missão que exercíamos em nome da Quinta Igreja. Mais tínhamos a aprender.

Cumpridas as exigências de segurança, nos encontramos com os sentenciados Josué Lianor e Jean Carlos. Entregamos as Bíblias doadas pelos irmãos e também uma palavra de ânimo para eles. Mas o que era para ser uma doação passou a ser uma recepção, isto é, entramos para dar o que tínhamos e saímos com o muito mais que eles nos ofertaram. Mas o que teriam a nos oferecer aqueles dois jovens encarcerados que para nós, os livres, estivesse faltando?

        Conversamos com os dois num ambiente bastante singelo, tudo cinza, nenhuma decoração, limpo, porém rústico. Nada ali lembrava um templo. Mas Deus estava ali. Deu para sentir. Não havia nenhuma liturgia preparada, porém um clima de adoração tomou conta daquele lugar inóspito.  Nenhum playback tocando, tampouco acordes de instrumentos, mas a vontade era de cantar hinos de adoração ao Deus que, em Cristo, reconcilia pessoas aparentemente irreconciliáveis. Sem coral, grupos ou conjuntos, todavia uma suave harmonia podia ser percebida. Nem um só sermão preparado, entretanto uma mensagem ali se construía a partir de perguntas e respostas, testemunhos e declarações de fé, pedidos e ações de graças. Bancos confortáveis, ar condicionado, púlpito, data-show, decoração, equipamentos de som, vestes litúrgicas, tudo isto faltava. Estas ausências, no entanto, não eram sentidas, pois naquele momento sublime a promessa de que as “portas do inferno” não resistiriam à Quinta Igreja se cumpria. Elas estavam derrubadas.

        Prostrados também estávamos nós. Tanto que logo ao sair perguntei ao presbítero se, durante a visita, ele tinha tido tempo ou oportunidade de pensar nos disse-que-disse, nas futilidades, nas intrigas, nas banalidades, enfim, naquilo tudo que toma conta de nossos esforços na igreja e que exaure as nossas forças. Ele respondeu que não. Eu também, não.

        Estávamos saindo de um lugar “onde o filho chora e a mãe não escuta”, no qual um sabonete é moeda valiosa, em que, como disse o Jean Carlos, um palito é importante. Saímos do ambiente onde é preciso confiar para viver e desconfiar para sobreviver. Afastamo-nos da situação onde não há hora nem vez para insignificâncias e voltamos para a nossa abundância de tempos, espaços e coisas. Voltei na triste certeza de que logo encontraria alguém reivindicando alguma coisa da igreja para si. Não poderia dar a ele um sabonete, nem mesmo um palito. Não adiantaria. Esta ovelha não encarcerada, enfastiada de bênçãos que não reconhecia, precisaria de algo fútil, não lhe interessava o essencial. Diferentes pareciam aqueles jovens. Quando perguntamos o que eles queriam de nossa Igreja, eles responderam prontamente: apenas que orem por nós. Senti saudades do Josué Lianor e do Jean Carlos.                            

pr. Salvador



Escrito por smor às 03h56
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SÓ DEPOIS DO CARNAVAL

 

       Entrei no Google e digitei “só depois do carnaval”. Deu 7290 ocorrências no Brasil. Eram notícias sobre uma espera, um desperdício de precioso tempo. Um jogador melhor só seria contratado “depois do carnaval”, enquanto isso o time campeão segurava uma lanterninha. Uma grande empresa de celulares compraria outra, mas só “depois do carnaval”. Até o governo, que deveria coibir a formação de cartéis, estava inerte, pois tudo estava previsto para “depois do carnaval”. Os professores pararam de reivindicar: campanha salarial só “depois do carnaval”. Os náufragos africanos que chegaram ao Brasil seriam abrigados, porém só “depois do carnaval”. Até o carnê do IPTU no RJ só vai chegar “depois do carnaval” e, é claro, com 300% de aumento. E por aí foi.

       Esta pastoral está sendo escrita “durante o carnaval”. Afinal, eu também estou ansiosamente esperando que alguns irmãos voltem ao nosso convívio e ao serviço do Reino, pois a promessa é que retornariam “depois do carnaval”.  Estou pastoreando a igreja desde “antes do carnaval”. Adiei minhas merecidas férias para começar logo em janeiro. Mas não estou cansado por isso. O que aborrece mesmo é esperar o “depois do carnaval”.

       Se você esteve esperando o trio elétrico passar de vez, então você não participou de cinco reuniões de oração que nos fortificaram, também não aprendeu mais sobre Jesus em outros cincos estudos bíblicos das quintas-feiras, não aprendeu a fazer as perguntas certas em cinco aulas da Escola Dominical, faltou em duas Ceias do Senhor, perdeu o acampamento dos jovens e não celebrou conosco o 39º aniversário de nossa igreja. A pedra continua no seu caminho. Se você não sabe do que eu estou falando, pergunte para quem veio ao culto de 27 de janeiro.

       Talvez você não saiba (caso estivesse esperando para saber “depois do carnaval”), mas a nossa igreja tem sido procurada por gente carente. Não. Não é o que você está pensando. Ninguém nos pediu dinheiro. Eram outras as necessidades. Uma senhora com grave doença nos visitou com toda a família para que orássemos por ela. Oramos com ela. Uma outra apareceu por aqui dizendo que tinha vindo por engano, que ouvira uma música num programa de rádio de uma igreja da rua Hermelino e procurando chegou até nós. Já que se enganou, oramos por ela, para que Deus a libertasse de todos os enganos. Um irmão apareceu pedindo oração pela venda de um imóvel e compra de outro. Oramos. Ele conseguiu vender e apareceu para agradecer. Comprou o que queria e voltou para nos avisar. Dois presidiários nos mandaram cartas pedindo orações e Bíblias para as reuniões de sua cela. Já oramos e estamos providenciando a entrega das Bíblias. Ainda bem que Deus sabia que vários irmãos não estavam esperando para “depois do carnaval” e mandou todos estes que precisavam de algo para que nós ministrássemos a eles o Evangelho de Jesus.

       Todas essas carências nos ensinaram que o inimigo gosta muito de Carnaval, mas ele não fica esperando para trabalhar “só depois do carnaval”!

pr. Salvador



Escrito por smor às 05h50
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POSSO FALAR O MEU NOME?

 

        No domingo passado eu estava na sala do Conselho em reunião com uma liderança. Alguém tentava abrir a porta. Era um garotinho de uns três anos que eu ainda não conhecia bem. Ele disse: “Posso falar o meu nome?”. “Pode”, eu respondi. Ele aproveitou e disse: “Meu nome é Cauã Luiz”. E acrescentou: “Pastor. Você deixa eu falar o meu nome?”. Mesmo sem entender, eu disse “Sim”. “Deixa mesmo?”, ele insistiu. Concordei. Até que alguém me explicou: “É que no culto passado ele falou o nome do Josué e agora ele quer falar o nome dele”. Ah! Agora entendi: é porque as crianças estão falando o seu nome na hora em que vão sair para o culto infantil e ele, ao ouvir o coleguinha falar o nome Josué, pensou que era para repetir e na sua vez disse “Josué”. Não era o Josué, era o Cauã! O Cauã pode ter se enganado na hora da apresentação, porém estava muito certo sobre o que estava fazendo no culto.

Vejamos, pois tem mais do Cauã. Quando recebemos pela primeira vez na igreja o Vítor, filhinho do Marcos Adriano e da Elaine, eu pedi que abençoássemos o membro mais novo de nossa comunidade. Muitos levantaram a mão durante a oração, inclusive algumas crianças. Entre elas, de braços erguidos e mãos espalmadas, estava o Cauã.

        As iniciativas do Cauã nos levam a refletir sobre as nossas expressões no culto. Como nos manifestamos no culto? Do que participamos? O que nos move? O que nos embaraça? O que nos impede? Aprendamos com o Cauã.

        Em primeiro lugar, você precisa “falar o seu nome” no culto, isto é, precisa identificar-se perante a nossa comunidade. Não tema. Você não precisa pegar o microfone e falar o seu nome. O que quero dizer é que você é “você mesmo” no culto. Você é uma pessoa criada por Deus, e é da sua personalidade que Ele quer receber o culto. Em outras palavras, você é insubstituível no culto de adoração, pois você é Cauã, não é Josué. Não dá para estar no culto só “em espírito”, é preciso, como ensina o apóstolo Paulo aos Romanos, apresentar-se com o seu corpo. O seu corpo aqui inclui os seus pensamentos, os seus sentimentos e a sua vontade. Assim você deve refletir, emocionar-se e ficar à vontade no culto. O culto também tem uma dimensão individual, embora não individualista: O nosso culto é o “seu” culto!

Jesus reafirmou que é da boca dos pequeninos que sai o perfeito louvor. Podemos, por analogia, dizer também que é com as mãos das crianças que se simboliza uma perfeita bênção. Portanto, junto com outras crianças, o Cauã abençoou o Vítor, com o coraçãozinho sincero que só as crianças podem ter. Isto nos leva ao segundo ponto.

Você precisa sempre lembrar-se que o culto é comunitário, isto é, ele é oferecido por um grupo ao qual você pertence, um corpo de adoradores. Ao cultuar nos relacionamos com Deus e com o povo de Deus. Você não está aqui apenas para se identificar (você não é o Josué, é o Cauã), mas também para buscar a dimensão coletiva de sua identidade (você e o Josué são um em Cristo). Em outras palavras, você está aqui para abençoar os que formam uma unidade com você (você e o Josué abençoam o Vítor). O “seu” culto é o nosso culto!

 

pr. Salvador



Escrito por smor às 09h55
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ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA?

       

        Alguém disse outro dia: “estou gostando do novo pastor, mas ele não mandou a gente orar o pai-nosso”. Gosto de que gostem de mim e é verdade que não mandei. Outro sentiu a falta da bênção. Não que eu não o tenha abençoado. É que ele, por certo, se referia à “bênção apostólica”, que é uma dentre as muitas bênçãos bíblicas. Mais um alertou também, não sem motivo, que não oramos abençoando as ofertas no domingo passado. Todos têm suas razões e agradeço as observações e ressalvas. Tudo isto é bom para admitirmos desde logo que o pastor não é perfeito e que incomparavelmente irrepreensível é apenas o SENHOR a quem nós servimos.

Mas é oportuno conversar sobre faltas e sobras. O que pode faltar em nossos cultos de adoração que torne o nosso ato um erro ou, no mínimo, um engano? O que deve sobejar em nossas celebrações de maneira que percebamos que elas foram suficientes para adoradores tão pequenos diante de um Deus tão grande?

O que não pode haver em excesso são os atos sobre os quais o povo não tenha compreensão do que está praticando. Tais são, por exemplo, as “vãs repetições” criticadas por Jesus. Pois, em cada momento, o crente deve saber o que está fazendo no culto e nada deve praticar na ignorância ou constrangido. Portanto, pode faltar tudo aquilo que é mera exigência nossa, sua ou minha. Por exemplo, a oração dominical (o “pai-nosso”) é um modelo, uma generosa resposta de Jesus diante do pedido de um dos discípulos que queria aprender a orar. Não há notícia que dali em diante, todas as reuniões de Jesus com os discípulos terminassem com a recitação daquela oração. Infelizmente o que era uma oração a ser imitada com liberdade, passou a ser algo a ser repetido como obrigação ou penitência.

O que pode sobrar é a alegria, pois é este o sentimento que, frequentemente, o Espírito coloca em nossos corações como sinal de um culto agradável a Deus. Pode bastar bem a espontaneidade, pois não agrada a Deus receber reverências de crentes forçados, contrafeitos ou incomodados. Nunca é demasiada a honestidade, pois não queremos ser como os “sepulcros caiados” tão veementemente censurados por Jesus. E o que é mais importante: no nosso culto não deve faltar a verdade diante de um Deus que procura verdadeiros adoradores que o cultuem em espírito e verdade.

Finalmente, é bom sempre lembrar que o culto é de adoração a Deus e por mais que juntemos as sobras elas não bastarão para expressar a grandeza do nosso Deus. Por outro lado, por mais que nos falte algo, nunca ele deixará de misericordiosamente aceitar o nosso culto. Assim, nunca seremos completos, mas também jamais seremos totalmente desprovidos da Graça com que Deus acolhe o nosso culto.

pr. Salvador



Escrito por smor às 06h05
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